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domingo, 25 de setembro de 2011

NA APRENDIZAGEM: GABRIELA DIAS - ANA HATHERLY : A IDADE DA ESCRITA

ANA HATHERLY- PORTUGAL
NO GLOSSÁRIO: 

                      A IDADE DA ESCRITA



ANA HARTHERLY   


 

    PARAFRASEANDO SOR JUANA INÉS DE LA CRUZ E SÓROR VIOLANTE DO CÉU   




Procura dismentir los elogios que a un retrato de la Poetisa escribió la verdad que llama pasión



   Este, que ves, engaño colorido
que del arte ostentando los primeros
con falsos silogismos de colares
es cauteloso engaño del sentido;


Este, en quién la lisonja ha pretendido
excusar de los años los horrores,
y vencendo del tiempo lo rigores
triunfo de la vejez y del olvido


Es un a vano artificio del cuidado
Es una flor al viento delicada
Es un resguardo inútil para el hardo
Es una necia deliquencia errada]Es un afán caduco y bien mirado
Es cadáver esl polvo, es combra  es nada


   Sor Juana Inés de La Cruz, séc. XVII - Parafraseando Gôngora.





A UMA CAVEIRA PINTADA EM UM PAINEL QUE FOI RETRATO



Este que vês de sombras  colorido
E invejas deu na Primavera as flores
Do pincel transformados os primores
Desengano horroso é do sentido


Idolo foi do engano pretendido
A que cega ilusão votou louvores
Estrago já do tempo, e seus rigores
O que então foi, ao que é já reduzido.


Foi  um vão artifício do cuidado
Foi luz exposta ao combater do vento
Emprego dos perigos mal guardado;


Foi nácar reduzido ao macilento
Oculto ali nos medos transformado,Mortalha a gala, a casa monumento.




SÓROR VIOLANTE DO CÉU, ORBE CELESTE 1742  - PARAFRASEANDO SOR JUANA INÉS DE LA CRUZ



                                                  AUTO-RETRATO                                         




                      Este que vês, de cores disprovido,
                      O meu retrato sem primores é
                      e dos falsos temores já despido
                      em sua luz oculta põe a fé.


                      Do oculto sentido dolorido,
                      Este que vês, lúcido espelho é
                      e do passado o grito pela mão da fé.


                     Oculto nele convertido
                     do tempo ido excusa o cruel trato
                     que o tempo em tudo apaga sentido


                     E do meu sonho transformado em acto
                     do engano do mundo já despido
                     este que vês, é o meu retrato



               ( A idade da Escrita, Lisboa, Edições Tema, 1998)



BIOGRAFIA:  Poeta, romancista, ensaísta e tradutora, Ana Hatherly iniou a carreira literária em 1958, tendo sido um dos principais elementos do grupo de poesia Experimental nos anos 60 e 70, do século XX, em Portugal. Possui várias obras publicadas, entre elas:  Um ritmo perdido, Lisboa: 1958 e A idade da Escrita, Lisboa: Tema, 1998.  É uma das mais renomadas escritora representativa da Língua Portuguesa.


Fontes:

http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Ana_Hatherly.htm#A%20IDADE%20DA%20ESCRITA

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

EM AULA: ENTREVISTA À ESCRITORA MIA LITTLE, DE "O JARDIM DAS BORBOLETAS"

                                     
BIOGRAFIA:
   MIA LITTLE (pseudônimo):  Escritora brasileira, possui 37 anos e um carisma inigualável. Tem o seu primeiro livro: "O Jardim das Borboletas" como um resgate a "criança", ou seja, a vida. É graduada em psicologia, fala inglês, espanhol e francês.
                                                 


"O jardim das borboletas, de Mia Little, trata-se da recuperação, com uma abordagem prática e de fácil acesso à todos que vivenciaram esta dolorosa experiência do abuso sexual. Mostramos os caminhos que cada um deverá seguir para que consiga lidar de uma forma mais sadia com as seqüelas que a violentação deixa. O tema da recuperação é tratado como prioridade e a percepção dos progressos são de fundamental importância, à medida em que caminhamos rumo às novas descobertas que faremos a nosso respeito. Este é um convite para uma grande aventura, onde nada é sagrado ou inviolável! "


O jardim das borboletas
Scortecci Editora
Auto-ajuda
ISBN 978-85-366-0706-1
Formato 14 x 21 cm - 92 páginas
1ª Edição - Ano 2007



http://www.scortecci.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=3994



    "
‘OS NOSSOS AGRADECIMENTOS A MIA LITTLE, COM UM BEIJO ENORME, DO PROFUNDO DE NOSSOS CORAÇÕES”
                          CIEP BRIZOLÃO 121


Entrevista da escritora Mia Little, autora de “O Jardim das Borboletas”, aos alunos da Turma 901/2011,do CIEP Brizolão 121-MARAMBAIA-SÃOGONÇALO-RJ/BRASIL,  em aula de Língua Portuguesa- Profª  Vanda Lúcia da Costa Salles


1 – Luiz Henrique Lima de Souza:
a)   Você gostou de publicar seu livro e participar da Bienal do Livro de São Paulo em 2010?
b)  O que te inspirou a escrever o livro O Jardim das Borboletas?

ML: Quando iniciei o processo de criação, a minha inspiração veio das pessoas com quem eu já trabalhava , ajudando a dar os primeiros passos rumo a recuperação dos abusos sofridos.

c)    E qual foi a sua intenção?
ML: O meu maior desejo foi o de ajudar às vítimas de abusos sexuais, proporcionando um caminho que as ajudasse a recontruir suas vidas.
2 – Danielli Lúcia dos Reis Louro:
a)   Qual foi a reação dos leitores quando você publicou esse livro contando sua historia de vida?
ML: Inicialmente, sempre há um choque, pois as pessoas que não viveram essa experiência  não falam a respeito. No caso dos meus leitores, das pessoas com quem eu já trabalho, foi como se eu tivesse dado voz a todos eles.
b)  O que levou você para este mundo literário?
ML: Sempre gostei muito de ler! Quando percebi as limitações, em termos literários, nessa área, percebi que poderia contribuir , e muito, levando mais informação sobre este assunto.

c)    Qual seria sua reação como leitora após ler este livro?
ML: Como leitora , inicialmente, como eu sofri a experiência do abuso, me sentiria aliviada ,por saber que alguém teve coragem de falar tão abertamente a respeito do assunto.
3 – Bruna do Nascimento Gonçalves:
a)   A sua família concordou ou incentivou a sua escolha de ser escritora?
ML: Minha família nem sempre apoiou! No início foi tudo feito sem o apoio de ninguém da família. O apoio só surgiu, após a finalização do trabalho.

b)  Qual o seu maior sonho?
ML: Ajudar o máximo de pessoas através do que escrevo, proporcionando um caminho mais leve até sua recuperação.

c)    Você já ganhou algum prêmio?
   

4 – Gabriela Dias:
a)   A partir da sua história real como você acha que poderia ajudar outras pessoas?
ML: Quando vivemos a experiência do abuso, primeiramente, aprendemos os caminhos da recuperação , para que a partir daí, possamos ajudar outras pessoas a percorrer o mesmo caminho, com menos tropeços.


b)  O porquê do titulo do seu livro?
ML: Borboletas me inspiram pela história de sobrevivência e pelo seu desabrochar ao saírem do casulo.
Pensei em pessoas se libertando de histórias tristes e pesadas e passando a ter uma vida plena!


5 – Viviam Cunha:
a)   O Jardim das Borboletas resume sua vida?
ML: Não. É apenas uma pequena parte dela.
b)  O que é ser uma escritora no Brasil de hoje?
ML: O escritor precisa amar o que faz e fazê-lo sem esperar recompensas. Puramente, por amor a literatura e querer contribuir para que haja uma mudança no cenário social.

c)    O que a determinou a escrever e publicar este livro?
ML: O intenso desejo em mostrar às pessoas com histórias semelhantes à minha, de que recuperação é possível e está disponível! Basta querer!
6 – Ingrid Lobo:
a)   Hoje o que mais te motiva a continuar a ser escritora?
ML: Continuar ajudando pessoas.

b)  Qual a importância na sua vida de ter se tornado escritora?
ML: Escrever me ajudou a ver e pensar a vida de outras formas. Me mais trouxe maturidade e sensibilidade no trato com as pessoas, e isso, fez toda diferença em minha vida!

c)    E por que um livro de auto ajuda? Foi intencional?

ML: Foi. Não há muitas literaturas , que abordem esse tema da recuperação no Brasil.

7 – Daniella Mesquita Sabóia:
a)   Qual profissão você exerceria se não fosse escritora?
ML: Professora.

b)  Qual seria o seu maior desejo, enquanto escritora?
ML: Continuar a caminhada...ajudar o maior número de pessoas que puder através de minha literatura e história de vida.

c)    Quem mais você admira nas Letras?
ML: Vinícius de Morais.

8 – Thamires Balbina Andrade Durval:
a)   Qual a importância da Língua Portuguesa em sua vida?
ML: A  Língua Portuguesa me abriu as portas para o mundo, tanto exterior quanto interior.

b)  Qual a emoção de publicar um livro?
ML: É como presenciar o nascimento de um filho! Inigualável,quando você percebe que pode contribuir para mudar a história de vida de muitas pessoas.


c)    O que você prefere: inventar histórias ou contar fatos reais? Por quê?
ML: A ficção não me atrai. Prefiro contar histórias reais , pois isso torna a realidade de quem  lê mais próxima , e muitas vezes, há a identificação com o que relato.
9 – Lorrane Santos:
a)   Como você se sente ao escrever a sua historia?
ML: Escrever a minha história, deu voz a minha criança que fora silenciada por muitos anos. Trouxe vida a mim mesma.

b)  Pensa em escrever outro livro? Sobre o  quê?
ML: Penso em fazer uma reedição do JARDIM DAS BORBOLETAS , sendo que com abordagens novas.

c)    Qual foi a sua maior dificuldade em se tornar escritora?
ML: Creio que é a dificuldade de todos, que são apaixonados pela escrita: o investimento inicial para o projeto.
10- Jéssica Vieira de Carvalho:
a)   Como seus livros podem ajudar aos jovens que desejam iniciar a carreira de escritor? E que conselho daria a eles?
ML: Primeiramente, creio que a literatura em si, alimenta esse desejo de quem quer iniciar  nessa carreira. A minha sugestão é de que leiam o máximo que puderem e queiram muito contribuir para mudar vidas, não somente escrever por escrever, precisam de um objetivo real.

b)  Em algum momento na sua vida você pensou que iria escrever um livro?
ML: No inicio , quando comecei a trabalhar com abuso sexual, não pretendia escrever um livro. O que eu, realmente, desejava era ajudar pessoas. Com o tempo, o desejo nasceu , naturalmente, e a inspiração aliada a anos de experiência com vítimas , também me ajudaram muito a começar a escrever.

c)  Você vendeu bem? Atingiu ao que se propôs?
    ML: O objetivo, como disse, era ajudar pessoas. A proposta do livro, não foi comercial, ou seja, vender livro,mas sim, alcançar pessoas. Praticamente todo material publicado ficou dentro dos grupos de sobreviventes. Essa foi a proposta  desde o inicio.

11- Mariana Ribeiro Fontes:
a)   Você se identifica com alguns dos seus personagens?
     ML: Os personagens retratam também um pouco da minha história de vida e recuperação.

b)  O que o livro “O Jardim das Borboletas” mudou na sua vida?
    ML: O JARDIM DAS BORBOLETAS, mudou o meu modo de pensar e ver a vida, bem como de sentir e ver as pessoas.

c)    Como é ser autora de um livro que trata de um assunto tão “censurado”?
     ML: Ainda hoje, esse assunto , não é falado abertamente, Tratar  desse assunto sempre traz retaliações, contudo, os benefícios ao se ajudar quem precisa, são maiores.
12- Dayanne Isabela R. Cordeiro:
a)   Qual foi a reação da sua família em descobrir em um livro o seu drama pessoal?
     ML: Não é fácil para a família, ter que tratar de um assunto tão delicado e ao mesmo tempo se ver exposta. Ainda assim, é o melhor caminho, tanto para quem viveu o drama do abuso , quanto para a família , que também precisa encarar  a realidade da história.

b)  Você recebeu muitas criticas ao publicar o seu livro?
    ML: Nesse ramo, nunca agradaremos a todos, pois há sempre aqueles que preferem não tocar nesse assunto , e por isso, criticam com o objetivo de calar o autor,

c)    O seu livro já ajudou a alguma pessoa com dependência química?
    ML: Sim. Uma vítima de abuso sexual desenvolve alguns mecanismos de autodestruição , dentre eles a dependência química. Começar a tratar a origem da causa desse mecanismo, automaticamente , trará um nível de consciência maior , acerca da questão da dependência química e fará com que repensem a questão de seu bem estar.  O mais importante é trazer à consciência que precisamos cuidar de nós mesmos, viver para contribuir e nos permitir sermos felizes, independente de nossa história de vida.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

NA APRENDIZAGEM - LUIS HENRIQUE LIMA DE SOUZA :DESCOBERTA - CONCEIÇÃO LIMA (SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE)

Bandeira de São Tomé e Príncipe bandeira de São Tomé e Príncipe





DESCOBERTA


CONCEIÇÃO LIMA ( SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE)      



Após o ardor da reconquista
não cairam manás sobre os nossos campos.
E na dura travessia do deserto
Aprendemos que a terra prometida
era aqui.
Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.



BIOGRAFIA:


    MARIA DA CONCEIÇÃO DE DEUS LIMA: nascida em Santana (Ilha de São Tomé), em 8 de Dezembro de 1961, mais conhecida por Conceição Lima, é uma poeta de São Tomé e Príncipe. Estudou jornalismo em Portugal e trabalhou na rádio, televisão e na imprensa escrita em São Tomé e Príncipe. Em 1993 fundou o semanário independente   O País Hoje. É licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King's College de Londres. Reside e trabalha como jornalista e produtora dos serviços de Língua Portuguesa da BBC. Já publicou poemas em jornais, revistas, e antologias em vários países.
É considera uma poeta do período pós-colonial. Começou a escrever poemas na sua juventude. Em 1979, com apenas dezenove anos, viajou até Angola, onde participou na Sexta Conferência de Escritores Afro-Asiáticos. Recitou alguns dos seus poemas e era, provavelmente, a mais jovem dos participantes presente. Conceição Lima considera esta a primeira fase da sua carreira como poeta. A segunda fase da sua carreira, começou com a publicação dos seus poemas em jornais, revistas e antologias.

BIBLIOGRAFIA;
. O ÚTERO DA CASA (2004)
. A DOLOROSA RAIZ DO MICONDÓ (2006)



Fontes:

pt.wikipedia.org/wiki/Conceição_Lima
museuposmodernodeeducacao.blogspot.com/.../homenagem-conceicao-lima-sao-tome-e.html -

terça-feira, 30 de agosto de 2011

NA APRENDIZAGEM: DAVID PRADO RIBEIRO - MINHA ESPERANÇA (CONTO)

MINHA ESPERANÇA

Meu nome é Carlos Duarte, médico cirurgião e ortopedista graduado em 2007, pela Universidade de Medicina do Rio de Janeiro, embora tenha muitos anos de carreira, me surpreendi no ano de 2010, quando numa noite chuvosa, passando rapidamente de carro por um atalho nas ruelas de Santo Amaro, avistei um saco azul de mercado com um durex enrolado e apenas alguma coisa se mexendo dentro dele. Aproximei-me e com receio abri o saco e por incrível que pareça era uma criança com má formação em seus dois membros inferiores. Apesar do isolamento, havia um casebre ao longe, com a luz acesa e a porta aberta, sem nem pensar corri até a porta e vi um casal de senhores, sentados, assistindo à novela. E então exclamei:
- Me ajudem a salvar esta criança!
Sem entender muito bem, responderam:
- Sim, nós o ajudamos.
Então levamos a criança e a secamos, ela ainda possuía o cordão umbilical. Fiz os primeiros socorros e a levei às pressas para o hospital em que trabalhava. Lá chegando, todos os médicos se comoveram com a história da criança e a colocaram fora de perigo. Demos a ela o nome de Esperança.
Mesmo sendo recém-nascida, Esperança estava esquecida no hospital. Nenhum casal se interessava em adotá-la e eu já estava ficando muito triste com a situação. Então decidi fazer um teste, criei uma mini prótese para imitar suas pernas e coloquei um lençol até sua cintura. Todos os casais que foram ao hospital naquele dia se interessaram por Esperança.
No dia seguinte retirei as mini próteses e o lençol, e convidei os casais para uma segunda visita e todos os casais desistiram da adoção. Fui para  casa indignado, pensando como é possível haver pessoas tão preconceituosas em nosso cotidiano. Daí, perguntei a mim mesmo em alta voz:
- Será que somente eu consigo ver a essência no olhar de Esperança e não a ausência de suas pernas?   E tendo ouvido isso minha esposa respondeu-me que “ ela  não podendo dar-me um filho, Deus colocou essa criança em nosso caminho. Portanto, deveríamos adotá-la!” – E eu muito feliz respondi-lhe:
- É isso mesmo, amanhã irei entrar com o pedido de adoção.
Chegando ao hospital, fui ao berçário e levei um enorme susto. Esperança não estava lá, então, perguntei à primeira enfermeira que avistei:
- Onde está Esperança?  - E ela respondeu-me:
- Doutor, ela passou mal à noite e foi levada ao CTI!
Sem noção nenhuma do que estava acontecendo, corri em direção à porta do CTI, ali, avistei Esperança na cama, já bem melhor, quando me avistou, sorriu e naquele momento eu tive a certeza de que ela me queria como pai.
Depois de meses resolvendo as burocracias da adoção, ela veio para casa, Sofia, minha esposa, era só felicidade. Esse foi um dos momentos mais lindos e felizes das nossas vidas.
Passado algum tempo tendo Esperança 12 anos, as dificuldades só aumentavam e o preconceito também, no ônibus, na rua, no shopping, em restaurantes, sempre havia alguma manifestação preconceituosa e o conjunto desses fatores fez  com que Esperança tentasse suicídio.   Felizmente ela se recuperou, após ser atendida às pressas.
Após sair de risco de vida, fui visitá-la e quando entrei no quarto e avistei seu rosto, ela sorriu para mim e ao mesmo tempo lembrei-me daquele olhar de menininha, a mesma, que era exemplo de superação em 2010, naquele momento precisava do meu conselho de pai. Então  disse-lhe:
- Filha, não se preocupe com o que as pessoas pensam de você, porque você não é pior que elas e tem que saber disso. Desde o primeiro dia de vida és uma sobrevivente, hoje tenta acabar com sua vida? – Com a cabeça baixa ela respondeu:
- Pai, me desculpe por tudo, quero que saiba que sou muito grata  pelo que fez por mim!
De lá para cá, Esperança foi muito feliz, pois entendeu que a essência dela estava em seu coração e não, nas pernas que lhe faltavam. Hoje, passado oito anos, estamos muito felizes e vivendo muito bem. Ah! Já ia me esquecendo, tenho que ir, pois estou atrasado para um casamento. O casamento da minha filha: ESPERANÇA!

*   Em aula de língua portuguesa.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

UM PEDIDO:Os Sonhos de Deus - Ludmila Ferber




Aos que sonham e lutam para que tenhamos em nossa escola o 2º grau!!!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

ENTREVISTA AO ESCRITOR BRASILEIRO: NILTO MACIEL


    
OS NOSSOS PROFUNDOS AGRADECIMENTOS AO ESCRITOR NILTO MACIEL



ENTREVISTA DOS ALUNOS DA TURMA 901/2011-

 DO CIEP BRIZOLÃO 121- PROFº JOADÉLIO CODEÇO - MARAMBAIA - SÃO GONÇALO-RJ

1º) LUIZ HENRIQUE LIMA DE SOUZA:
a)    a) Como se sente ao escrever livros?
NM – Ao escrever, sinto-me muito bem, como se realizasse o melhor dos sonhos.
b)   b)   Você batalha muito para poder ser um escritor?
NM – Sim, sempre (desde menino) leio e escrevo muito. Para me fazer e manter escritor estudei muito e trabalhei muito.
c) Qual é o seu objetivo na vida?
NM – Há vários objetivos. O primeiro, ou o mais importante, é viver como ser humano. Não quero ser herói ou astro (famoso), porque a vida é muito curta para o heroísmo e a fama.


2º) ANTONIO CARLOS DE F. SANTOS:
a)    a) Para você, qual a importância de escrever um novo livro?
NM – Escrevo todo dia. E todo dia é importante para mim. Não faço distinção entre segunda-feira e domingo, carnaval e natal. Escrever me faz bem, muito bem.

b)   b)Qual a importância desse livro na cultura?
NM – Não sei a que livro você se refere, mas meus livros são muito importantes para mim.  Como sou sujeito ou personagem da cultura, como faço parte dela, meus livros são importantes também, embora não sejam tão importantes como os de Machado de Assis e outros grandes artistas das letras.
c)   c) E que exemplo esse livro pode ser na vida de alguém?
NM – Não escrevo para dar exemplo. Livro não serve para dar exemplo. A não ser como formação intelectual.
3º) GABRIELA DA SILVA REIS:

a)    a) Qual foi o seu primeiro livro?
NM – Itinerário, de 1974. São 14 contos curtos. 

b)   b) A idade em que começou como escritor?
NM – Quando publiquei o primeiro livro eu tinha 29 anos, mas escrevia desde a adolescência.
c)   c) Por que você quis ser um escritor?
NM – Eu queria ser jogador de futebol (passei a infância e parte da adolescência a jogar bola). Depois quis ser revolucionário, guerrilheiro (como Che Guevara), para derrubar a ditadura e instalar um governo popular socialista. Mas sempre lendo e escrevendo. Como não consegui ser jogador nem guerrilheiro, dediquei-me a ler e escrever.
4º) DAVID PRADO RIBEIRO:
a)    a)De todos os seus trabalhos, qual foi o mais marcante em sua carreira profissional?
NM – Não sou escritor profissional. Mas ganhei alguns prêmios literários. O mais importante deve ter sido o “Prêmio Cruz e Sousa”, do governo de Santa Catarina, com o romance “A Rosa Gótica”.
b)   b) Qual a sua sensação ao escrever o conto “O filho da Solitária”? Por quê?
NM – Não digo que senti prazer, porque o personagem é um homem muito sofrido, pois fizeram dele um bicho (e não deveriam fazer isso com animal nenhum), ao prenderem-no numa jaula, solitário, por muitos anos. Senti nojo dos que maltratam pessoas e animais. Muita revolta também.
 c)    Qual sua perspectiva em relação ao mundo contemporâneo?
 NM – Acredito na democracia, no fim das ditaduras, das desigualdades sociais, nos esportes e nas artes como meios de integração social, paz, progresso.
 5º) KERLIANE REIS:
a)    a) Você algum dia pensou em parar de ser escritor? Por quê?

NM – Não penso em parar, mas um dia deverei parar. Se eu pudesse, seria eterno e escreveria para sempre. Porque é muito bom escrever.
b)  b)  De todas as suas obras, qual a que mais gosta? Por quê?
NM – Gosto de algumas obras, como o romance “A rosa gótica”, o conto “As pequenas testemunhas” e o poema “Cena doméstica”. Gosto porque gosto e gosto não se discute.
c)   c) Qual o seu atual livro a ser lançado no mercado? Qual a sua expectativa?
NM – Meu mais recente livro é “Luz vermelha que se azula”, de contos. Foi escrito já neste século, entre o ano 2000 e 2005. Espero que os leitores gostem dele e que seja lido e estudado nas escolas.
6º) DAYANE ISABELA R. CORDEIRO:
a)    a)No início da sua carreira, você teve algum apoio familiar? Ou de alguma outra pessoa?  De quem?
NM – Meu irmão Ailton, que faleceu aos 33 anos e era dois ou três anos mais velho do que eu, me apoiava muito.
b)   b) Ganhou algum prêmio que significou muito para você?
NM – Já falei do prêmio de Santa Catarina. Eu me senti muito valorizado e passei a gostar mais de mim e do que escrevia. Fiquei tão feliz que acreditei que pudesse transformar em ouro tudo o que eu tocasse, ou seja, escrever obras maravilhosas sempre que quisesse.
c)    c) Quando você escreve algum livro, se inspira na vida real?
NM – Sim, tudo vem da vida real. Toda arte vem da vida real, por mais absurda ou fantástica que pareça. Você já viu formigas e urubus comerem um bebê humano? É o assunto do meu conto “Os urubus e Deus”. É um absurdo, não é? Mas acontece todo dia.
7º) KEZÍA DE SOUZA RODRIGUES:
a)   a) Por ser escritor, você deve ter muito pouco tempo para o lazer ou não?
NM – Sim, sobra-me pouco tempo para o lazer. Mas consigo gostar de não me divertir. Quando eu tinha 15 anos, ficava em casa a ler, olhava para a rua, via os meninos, queria ir me juntar a eles. Mas terminava desistindo de ir brincar.
b)   b) O que é ser escritor no Brasil?  Por quê?
NM – Ser escritor no Brasil é ser um sonhador. Porque não há muito incentivo, a escola é pobre, o hábito de leitura é quase inexistente, o livro é muito caro (em relação ao salário mínimo).

c)    c) A vida de um escritor é bastante agitada?

NM – Depende de cada escritor. A minha é muito calma. Passo o dia todo em casa a ler e escrever. Uma vez por mês sou convidado a participar de palestras, encontros, lançamentos de livros, feiras, entrevistas, etc.
8º) JHENIFY MESQUITA DE LIMA DA SILVA:
a)   a) Você tem algum ídolo, na língua portuguesa?
NM – Tenho diversos ídolos: Camões, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Jorge de Lima, Graciliano Ramos e outros.

b)  b) Qual foi a história mais estranha que você escreveu?
NM – A mais estranha deve ter sido “Masmorrer”. Um grupo de prisioneiros é abandonado numa prisão e aos poucos vão se matando. Os mais fortes se juntam para matar os mais fracos e comer suas carnes, até que o último morre de fome.
c)    c) Já escreveu algo que não tenha gostado?
NM – Muitos poemas são feios, fracos, mas mesmo assim eu não os joguei fora. Porque nossos escritos são como nossos filhos: não podemos jogá-los fora só porque são feios.
9º) DANIELLI LÚCIA DOS REIS LOURO:
a)    a) Gostaria de escrever uma obra-prima? Por quê?
NM – Esta pergunta é uma das mais importantes. Sempre penso nisso. Para mim, só vale a pena escrever obra-prima. Entretanto, como não sou gênio, nunca escreverei obra-prima. Como sou bom pai, não desprezo meus filhos feios. Porque são parte de mim. Se eu os desprezar, estarei desprezando a mim mesmo.
b)  b) Qual o livro de sua carreira que recomendaria para os alunos? Por quê?
NM – Para os menores “Os guerreiros de Monte-mor”; para os maiores “O cabra que virou bode”. Estou falando apenas dos romances. Não posso falar dos contos, porque não tenho livros temáticos. São muito misturados: contos de amor, eróticos, de violência, de crianças, de velhos, de animais, etc, tudo no mesmo livro.
c)   c) O que você gostaria de dizer ao seu leitor?
NM – Como escritor, eu diria: leiam mais e mais, até ficarem velhos. Como cidadão: leiam para a vida, para se tornarem pessoas mais educadas, mais sadias, mais puras, mais solidárias.

10º) VIVIAN SIMÃO CUNHA:

a)   a) O que você prefere ser: Escritor ou Professor?  Por quê?
NM – Prefiro ser escritor, embora goste também de dar aulas, de falar a pessoas curiosas.
b)   Qual o momento mais importante da sua carreira? 
NM – Dos muitos momentos importantes de minha vida de escritor destaco o prêmio Cruz e Sousa.
c)    c) Quando era criança, você pensava em ser escritor?
NM – Como já disse, quando criança, pensava em ser jogador de futebol. Eu lia por prazer, mas não me passava pela cabeça a possibilidade de escrever como aquelas pessoas dos livros.
11º) LORRANE SANTOS SOUZA:
a)   a) Você daria uma palestra em nossa escola? O que seria preciso para que isso acontecesse?
NM – Sim, daria uma palestra ou conversaria com os alunos desta escola, como tenho feito em outras. Porém, moro muito longe daqui, em Fortaleza.
b)    b)Qual a diferença de crônica para conto? Por quê?
NM – A diferença entre crônica e conto é muito sutil, quase imperceptível, sobretudo entre o conto sem enredo e a crônica moderna.  Se ambos forem em primeira pessoa, a dificuldade de se ver diferenças será maior ainda.
c)   c) Quais são os maiores cronistas contemporâneos brasileiros? 
NM – Como não leio jornais e revistas, não sei quem escreve crônica no Brasil.
12º) GEISILANE DOS SANTOS BASTOS BARROS:
a)   a) Se não fosse escritor o que gostaria de ser?  Por quê?
NM – Se não fosse escritor, gostaria de ser compositor de música ou cineasta. A música é a mais bela expressão da arte. O cinema é mais próximo das pessoas do que o livro.
b)  b) O que você pensa sobre o poeta Manoel de Barros?
NM – Manoel de Barros é um dos maiores poetas brasileiros ou da língua portuguesa. 
c)   c) O que você aconselharia a um jovem escritor?
NM – Aconselho paciência (não ter pressa em publicar), mais leituras e exercícios diários de elaboração de poemas, contos, crônicas, artigos.
13º) ANTONIA VILAUBA VIEIRA PEDRO:
a)    a) Como você gostaria de ser lembrado pelo povo brasileiro?

NM – Como um ser humano que não quis ser rico, poderoso, político, empresário e muito menos ladrão, e se contentou com arte e amor.
b)   b) Em sua opinião, qual a sua obra-prima?
NM – Infelizmente, nunca escrevi nenhuma obra-prima.
c)   c) Eu também sou cearense, você veio de uma família humilde?
NM – Prazer em ler a sua pergunta. Sim, vim de família pobre: meu pai era comerciante pequeno (no Ceará se diz bodegueiro ou dono de bodega), filho de agricultores, porém muito preocupado (ele e dona Nenen, minha mãe) com os estudos dos filhos.

14º) THAMIRES BALBINA A. DURVAL:
a)    a) Sobre o que você mais gosta de escrever? Por quê?
NM – Sobre os problemas das p-essoas, tais como solidão, angústia, dor psicológica, saudade, amor, porque são assuntos essenciais.
b)  b) É verdade que a vida de escritor é solidão?
NM – Nem sempre. Muitos vivem em perpétuo burburinho, porque precisam disso para escrever. Eu prefiro a solidão para viver, pensar e escrever. Para mim, o mais importante no ser humano é pensar. O homem foi feito para pensar e não para correr, saltar, dançar, pular, como os outros animais.

c)   c)  Leitura e Escrita é...?
NM – Para mim, ler e escrever são essenciais. Essenciais para mim, não para os outros ou a sociedade. Ser escritor é ser diferente dos demais seres. Ninguém é escritor porque quer ser escritor. Os que querem ser escritor não o serão nunca.
15º) VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES:
a)    a) Caro Nilto Maciel, para uma pesquisa em Bioecolinguística: o que você aconselharia? Uma entrevista com alunos a um escritor é um caminho?  Por quê?
NM – Nunca estudei bioecolinguística nem linguística nem literatura. Acredito, no entanto, ser um bom caminho para o pesquisador uma conversa franca e demorada com alguns escritores, sobretudo aqueles que falam abertamente, sem esconder nada, sem querer apenas aparecer.
b)  b) Conte-nos um pouco sobre a sua mais recente obra publicada: qual o nome e como foi construí-la?
NM – Tenho diversas obras mais recentes: contos, crônicas e artigos. Dois volumes de contos: “Luz vermelha que se azula” e outro cujo título deverá permanecer em segredo até ser publicado. Escrevo todo dia. Isto não quer dizer que a cada dia escreva um conto, crônica, artigo ou capítulo de romance. Passo dias e dias a escrever uma peça literária, por menor que seja. No primeiro dia surge a ideia, que anoto em caderno ou no computador. Pode ocorrer a conclusão no mesmo dia ou na mesma hora. Mas prefiro dormir com ela (a ideia), ruminar bem, mastigar, sonhar, pensar mais e no outro dia escrever um rascunho mais robusto.
c)   c) É possível deixar aqui uma poesia (desde já, obrigada, do mais profundo de nossos corações)?

NM – Não sou bom poeta. E você pode até ter pensado numa poesia de poeta famoso. Mas, neste caso, você tem tantos livros e a Internet para buscar poemas. Então serei muito egocêntrico (como todos ou quase todos escritores) e apresentarei um poema meu, “Nem sei domar meus próprios cães”:

Para imitar o imortal Camões,
precisaria ser, meus cidadãos,
mil seres juntos, ter mil corações,
hidra gentil – cabeça, tronco e mãos.

Porém sou pobre, sem nenhuns tostões,
vivo perdido em devaneios vãos,
e sem botinas, becas e botões,
como esses loucos que se creem sãos.

E velho estou, cabeça toda em cãs,
como meus pais, avós, as minhas mães,
as utopias, ancestrais e vãs.

Talvez pudesse ser padeiro – pães –,
tecer mortalhas – panos – doutras lãs,
porém domar nem sei meus próprios cães.


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Um beijo a todos e continuem assim inteligentes, sadios, fortes, amorosos, solidários, sem preconceitos.

P. S. – Publicarei as perguntas e respostas (como estão aqui) no meu blog, semana que vem. O endereço é http://literaturasemfronteiras.blogspot.com/